Com muita tristeza, comunicamos o falecimento do professor emérito da Escola de Ciência da Informação (ECI), Paulo da Terra Caldeira, na última sexta-feira, dia 17 de julho. A notícia, foi publicada na Rede Social da Escola de Ciência da Informação, manifestada pela perda de um grande profissional e também como pessoa, pelos amigos, familiares, colegas de trabalho e também no site Institucional da UFMG. Em nota, a UFMG destacou sua passagem como ex-diretor da Biblioteca Universitária, a Elegância, gentileza e generosidade com que ele tratava as pessoas ao seu redor, como também a homenagem que recebeu em vida pela ECI, confira:

Morre o professor emérito Paulo da Terra Caldeira, da ECI

Referência na área de gestão da informação, docente foi diretor da Biblioteca Universitária e presidiu o Conselho Regional de Biblioteconomia

Por Redação
20/07/26, às 12h25 – Atualizado em 21/07/26, às 09h34

Paulo da Terra: história entrelaçada à da ECI e ao do processo de consolidação da Biblioteconomia e Ciência da Informação como campo de ensino, pesquisa e extensão
Foto: Raphaella Dias | UFMG

Faleceu na última sexta-feira, dia 17, aos 81 anos, o professor emérito Paulo da Terra Caldeira, da Escola de Ciência da Informação (ECI), ex-diretor da Biblioteca Universitária e ex-presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª Região (CRB-6). Paulo Caldeira ingressou no quadro de professores da UFMG em 1996. Ao longo de sua carreira, atuou como vice-diretor da ECI, editor da revista Perspectiva em Ciência da Informação e coordenador do colegiado do curso de Biblioteconomia. Seu corpo foi sepultado no sábado, dia 18, no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

O atual vice-diretor da Biblioteca Universitária (BU), Wellington Marçal, que foi seu aluno de graduação na ECI (quando ainda se chamava Escola de Biblioteconomia) lembra que Paulo da Terra é dono de uma produção bibliográfica que é referência em todo o país sobre a questão das fontes de informação.

“Era um professor extremamente exigente, muito rigoroso – mas um mestre que todos os alunos aprendiam a respeitar e a valorizar”, afirma Marçal. Ele destaca o profissionalismo do docente e o quanto primava pelo aprendizado. “Os trabalhos e os seminários em grupo eram muito marcantes; todos passavam meses se preparando porque já tinham conhecimento do quanto ele era exigente. Isso marcou minha formação, e eu carrego os conhecimentos que ele compartilhou conosco nessas minhas mais de duas décadas de exercício profissional”, revelou.

Referência
Marçal relata que, desde a graduação, começou a participar dos órgãos colegiados de deliberação, representando o corpo discente na congregação e em comissões da ECI, oportunidades em que compartilhou aprendizados com o professor Paulo da Terra. “Isso também marcou a forma como eu, desde então, fui ampliando minha participação nas instâncias coletivas”.

O professor Paulo da Terra também foi diretor da Biblioteca Universitária e serviu como referência na trajetória administrativa de Marçal. “Ele sempre foi uma das minhas inspirações nas vezes em que estive nesse cargo de gestão”, diz o vice-diretor. Durante a primeira gestão de Marçal na diretoria da Biblioteca Universitária, entre 2013 e 2015, o professor Paulo da Terra era um dos integrantes do conselho diretor do órgão. “A presença dele e as considerações que fazia sobre os pontos que discutíamos nas reuniões plenárias eram sempre muito preciosas, não só pelo seu elevado espírito institucional, mas porque ele sentia amor pelas questões relacionadas ao setor de bibliotecas da universidade”, reconhece.

Wellington Marçal aponta que o professor Paulo da Terra “ilustra plenamente a figura de um erudito”. “Era extremamente inteligente, com um conhecimento aprofundado de muitas das questões do âmbito cultural – e isso não é muito comum de se encontrar por aí”, conclui.

Aprimoramento profissional
Para a atual diretora da BU, Izabel Araújo, o professor Paulo da Terra “marcou gerações de alunos não apenas pela vastidão de seus conhecimentos, mas também pelo rigor intelectual, pela seriedade acadêmica e pelo permanente estímulo à reflexão crítica e ao aprimoramento profissional”. Sua atuação como docente contribuiu decisivamente para a formação de inúmeros profissionais e para o fortalecimento da área, deixando uma marca indelével na trajetória daqueles que tiveram o privilégio de aprender com ele. Como tantos outros estudantes, fui profundamente beneficiada por seus ensinamentos, por sua dedicação à docência e por seu compromisso com a formação de profissionais”, declarou.

Como relembra a diretora, à frente do Sistema de Bibliotecas, Paulo da Terra conduziu importantes iniciativas de modernização, fortalecimento institucional e informatização dos serviços, contribuindo para ampliar o acesso à informação e para consolidar as bibliotecas como estruturas essenciais ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária.

“Seu legado acadêmico, profissional e humano permanecerá vivo e continuará a inspirar todos aqueles que reconhecem, nas bibliotecas, na educação e no conhecimento, instrumentos fundamentais para a transformação da sociedade”, afirmou.

Elegância, gentileza, generosidade
Nas palavras do diretor da ECI, Eduardo Valadares, a trajetória de Paulo da Terra “se entrelaça à própria história da ECI e ao processo de consolidação da Biblioteconomia e Ciência da Informação como campo de ensino, pesquisa e extensão na UFMG e no Brasil”.

“Poucas pessoas tiveram uma presença tão contínua, generosa e transformadora em nossa Escola. Ao longo de décadas de dedicação, construiu uma carreira marcada pela excelência acadêmica, pelo compromisso institucional e por notável sensibilidade para compreender o papel social da informação, da cultura e das bibliotecas. Muito do que a ECI representa hoje tem suas raízes no trabalho coletivo do qual o professor Paulo foi um dos protagonistas. Sua dedicação permanece presente nas estruturas que ajudou a construir e, sobretudo, nas pessoas que formou e inspirou”, disse o colega.

Eduardo Valadares define o professor Paulo da Terra como um intelectual profundamente comprometido com a cultura e que compreendia o conhecimento como um bem público. “Docentes, técnicos e estudantes que tiveram o privilégio de conviver com o ele recordam não apenas sua vasta erudição, mas também sua elegância, gentileza e generosidade. Era um professor que ensinava pelo exemplo, acolhia com discrição, escutava com atenção e inspirava pelo refinamento intelectual e humano. Sua presença transmitia serenidade, e sua forma respeitosa de se relacionar com as pessoas fez dele uma figura muito querida em nossa comunidade. Não por acaso, foi escolhido inúmeras vezes como patrono e paraninfo de turmas, distinções que expressam o carinho e a admiração que conquistou ao longo de sua vida universitária”, relatou.

De acordo com o diretor da ECI, Paulo da Terra reafirmou, ao longo de toda a sua vida, que o conhecimento, a cultura e a memória constituem patrimônios indispensáveis à sociedade. “Deixa uma obra que transcende sua produção intelectual. Deixa uma Escola mais forte, uma Universidade mais rica e uma comunidade acadêmica que continuará encontrando em seu exemplo de dedicação, humanidade e compromisso com a educação pública motivos para seguir construindo o futuro”, finalizou.

Homenagem em vida
Por ocasião das atividades comemorativas pelos 75 anos da ECI, em março do ano passado, o professor Paulo da Terra Caldeira foi homenageado com a outorga do título de professor emérito.

Na Escola, além de lecionar e pesquisar, assumiu cargos administrativos, representações e comissões diversas. Ministrou disciplinas na antiga Escola de Biblioteconomia e na pós-graduação em Biblioteconomia e também lecionou na Escola de Enfermagem, na Escola de Engenharia, na Escola de Veterinária e na Faculdade de Medicina, o que mostra a amplitude de sua contribuição à UFMG.

Paulo da Terra teve participação importante no planejamento do curso de pós-graduação em Administração de Bibliotecas, o atual Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Além disso, foi fundamental no planejamento dos cursos de graduação e no mestrado em Biblioteconomia. Ele orientou trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e monitorias, além de ter atuado em bancas examinadoras. Sua participação em comissões e representações também foi significativa, envolvendo-se em diversas atividades na UFMG e em órgãos como o Conselho Federal de Educação, o Conselho Regional de Biblioteconomia e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Como vice-diretor da ECI, Paulo da Terra esteve à frente da elaboração de projetos pedagógicos para os cursos de Museologia e de Arquivologia. Foi diretor da Biblioteca Universitária (BU), onde desenvolveu projetos como o Serviço para o Sistema de Acesso a Bases de Dados (PADCT) da Universidade, o Acervo de Escritores Mineiros e o Acervo Francisco Curt Lange, incluindo diretrizes para organização, identificação, organização e divulgação do acervo de obras raras da Biblioteca Central da UFMG.

No campo da pesquisa, Paulo da Terra Caldeira dedicou seus estudos às investigações em bibliotecas escolares, à normalização bibliográfica e à busca de informação e uso da internet na pesquisa escolar, totalizando 31 pesquisas realizadas ao longo de sua carreira. Sua produção acadêmica também é notável: publicou 10 livros, 33 artigos em periódicos e apresentou 27 trabalhos em eventos científicos, o que valeu a ele o reconhecimento como um dos autores mais produtivos de sua área.

Paulo da Terra Caldeira deu um depoimento à série 90 anos de história, produzida pela TV UFMG durante as comemorações dos 90 anos da Universidade. Na ocasião, ele falou sobre a evolução da gestão do conhecimento na instituição, processo com o qual ele muito contribuiu. Assista:

Para conferir a matéria diretamente do site Institucional da UFMG acesse aqui.

Morre o professor emérito da ECI, Paulo da Terra Caldeira